Você, com certeza, já se viu tendo impulsos que eram muito, mas muito desagradáveis e que, provavelmente acabou tentando reprimir.
O problema é que, se fizermos isso e fingirmos que eles não existem, são enormes as chances de que eles virem uma fonte inesgotável de sofrimento cedo ou tarde.
Mas e se eu te dissesse que existe uma forma de fazer algo bem melhor que ignorá-los e ainda de transformar esses impulsos numa fonte de inspiração socialmente aceita?
O que você me diria disso?
Leia este artigo até o final para entender melhor sobre como a Psicanálise explica a sublimação.

O que é a sublimação?
Se você for alguém que gosta bastante de Ciências, pode ser que se lembre de que sublimação é o processo de transformação física em que um sólido se transforma em gás sem que passe pela forma líquida.
Mas, calma que esse artigo não é sobre Química e tem um motivo para eu citar isso.
Sabe qual é?
Sublimação, para a Psicanálise, também é uma forma de transformação de uma pulsão sexual sem que ela se mantenha com o caráter sexual que a originou.
A sublimação foi explicada por Freud em 1905 em seu livro “Os três ensaios sobre a sexualidade”.
Freud nos explica que a sublimação é um mecanismo de defesa por meio do qual o sujeito consegue transformar uma pulsão sexual inaceitável em uma fonte de energia socialmente aceita.
Ficou confuso?
Eu vou explicar.
Primeiramente, vamos entender a ideia de pulsão sexual.
O que é pulsão sexual
Vale destacar aqui que o conceito de sexualidade para Freud não se confunde necessariamente com relação sexual, sendo muito mais amplo.
Muita gente inclusive até hoje chama o pai da Psicanálise de pervertido por puro desconhecimento daquilo que ele ensinou.
Quando Freud, por exemplo, trazia que uma criança tinha sexualidade, ele chocou a sociedade, que não entendeu aquilo que ele trazia em sua proposição.
Sexualidade, para Freud, não se liga apenas ao prazer genital. Por exemplo, quando o bebê mama, o prazer está na boca dele. Ele sente satisfação e carinho no momento em que se alimenta e isso é fonte de prazer para ele.
Com isso, fica claro que nós precisamos entender que a pulsão é, na verdade, uma energia acumulada que visa à obtenção de satisfação.
A fonte de nossas pulsões é o id.
Muitas das pulsões podem ser socialmente inaceitáveis e o simples fato de serem trazidas à consciência podem gerar sofrimento.
E mais uma vez voltamos ao tema do nosso vídeo, que é a ideia de sublimação.
Como Freud explica a sublimação?
Para Freud, esse termo também evoca a ideia de algo sublime.
Como atividades de sublimação, Freud indicou principalmente a atividade artística e de investigação intelectual.
Para ele, a pulsão sexual é sublimada na medida em que é transformada para um novo objetivo não sexual socialmente valorizado.
A mesma intensidade da pulsão sexual é mantida, mas agora visando a outra meta não sexual.
Em outras palavras, a sublimação seria uma forma simbólica para satisfazer os impulsos do id.
Os impulsos do id podem ter 3 caminhos: a renúncia consciente da satisfação do desejo, a busca pela satisfação desse desejo ou a sublimação.
Vamos pensar num exemplo de uma pessoa que se sente fortemente atraída pelo marido de sua melhor amiga.
Esses impulsos do id causarão conflito nessa pessoa.
Pensando nas três possíveis soluções para esse conflito, temos a possibilidade, em primeiro lugar, dela renunciar a essa atração, por não querer magoar a amiga e reconhecer que realizar esse desejo não seria socialmente aceito.
Porém, renunciar a esse desejo não seria deixar de conservá-lo no inconsciente, o que pode gerar algum sintoma.
A segunda possibilidade seria satisfazer esse desejo, ou seja, buscar seduzir o marido da amiga, mesmo que evidentemente isso destruísse a amizade e fosse gerar julgamentos em relação à sua atitude.
A sublimação entraria aqui como a terceira possibilidade, que seria utilizar esse impulso do id de uma maneira que não desrespeitasse os valores morais dessa pessoa nem a amizade dela com a esposa da pessoa por quem se sente atraída.
Esse impulso poderia ser transformado em alguma atividade artística ou intelectual que canalizasse essa pulsão sexual de uma forma socialmente aceita e que não gerasse a perda dessa amizade.
Sublimação e os impulsos agressivos
Além dos impulsos sexuais, Freud também, mais adiante em sua obra, reconheceu que a sublimação também pode se dar em relação aos nossos impulsos agressivos.
Assim, em vez de satisfazê-los, esses impulsos também podem ser sublimados.
Quer um exemplo?
Pense num homem que tem fascínio por sangue.
É algo que não é exatamente aceitável de um ponto de vista social, não é mesmo?
Ainda mais se essa pessoa fizer com que as outras sangrem.
Para além de inaceitável, essa pessoa seria um perigo.
Mas e se essa mesmíssima pessoa transformasse e canalizasse esse impulso dela por sangue em uma atividade socialmente aceita?
E se ele se tornasse, por exemplo, um cirurgião?
Ele deixaria de ter um comportamento inaceitável, passaria a ser chamado de doutor e seria muito bem remunerado para isso.
Ou seja, ele teria, de uma forma perfeita, sublimado essa pulsão dele em algo totalmente aceito pela sociedade.
E o mesmo vale para tantos outros setores, como as artes, esportes, entre muitos outros campos.
Obviamente, eu não estou necessariamente dizendo que todo médico cirurgião seja um fanático por sangue ou tenha passado pela sublimação, mas fato é que as pessoas que conseguem sublimar suas pulsões têm algumas vantagens.
Isso porque a energia que está canalizada nas pulsões é enorme e vem de nosso inconsciente.
Direcioná-la para algo que promove algo positivo em nossa vida contribui para evitar o sofrimento de ter uma pulsão recalcada que pode gerar sintomas, ou seja, muito sofrimento psíquico.
Freud indicava que é realmente impossível sublimar tudo, pois sempre teremos alguns sintomas, mas reconhecia na sublimação o mecanismo de defesa com maior sofisticação de trabalho psíquico.
Como podemos sublimar?
Não existe um manual com dicas para sublimar impulsos sexuais ou agressivos.
A Psicanálise não oferece respostas prontas, mas sim pistas daquilo que ocorre em sua vida psíquica para que você mesma possa trabalhar suas questões internas.
Com isso, é importante compreender que o mais importante não é sublimar algo.
Se isso for possível, será benéfico em sua vida. O processo analítico pode gerar essa condição.
Mas também, se não gerar a sublimação, vai trabalhar as questões que estão guardadas no inconsciente e vai permitir que você estabeleça uma nova relação consigo mesma.
Considere a Psicanálise como uma possibilidade de se enxergar de uma
forma nova.
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Muito obrigada por ler até aqui e cuide-se!
Eu fiz um vídeo sobre esse mesmo assunto!
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