É muito difícil lidar com pessoas falsas, não é mesmo?
Pior mesmo é notar que aquela pessoa que parecia tão confiável e tão próxima não passa de uma Falsiane.
Perceber que ela fala mal de você para outras pessoas do mesmo modo que fala mal de outras pessoas para você.
Perceber também que ela nunca esteve do seu lado como parecia estar porque só pensa nela mesma.
É, ver tudo isso causa muita decepção e sofrimento.
A falsidade que parte de pessoas próximas, antes vistas como amigas, gera muita decepção e sofrimento.

Como identificar pessoas falsas?
De acordo com o que todos sabemos sobre esse tema, falsidade é mentira, enganação.
É falar algo que não se pretende cumprir, bajular o outro procurando com isso obter alguma vantagem.
É não sustentar a palavra empenhada, não se comprometer com outro se não for conveniente, se não trouxer benefício próprio.
Nesse sentido, é possível afirmar que a pessoa falsa é também egoísta.
E não é raro que ela assuma, quando contrariada ou desmascarada, o papel de vítima.
Não é raro que ela procure negar seus atos de falsidade.
Realmente existem pessoas que são muito falsas e todos nós conhecemos pessoas assim no trabalho e até mesmo na família.
Um exemplo de falsidade no trabalho é daquele funcionário que está sempre elogiando o chefe, sempre concordando com tudo o que o chefe fala.
Age assim para se aproximar dele e obter vantagens.
Outro é daquele colega de trabalho que finge ser próximo de todos para colher informações de diferentes grupos.
Está sempre comentando sobre as dificuldades de alguns colegas e faz isso diante de coordenadores, gerentes, chefes.
Para conseguir uma promoção ou aumento de salário, procura constantemente fazer sua autopromoção.
Um ponto em comum entre as pessoas falsas é que, de início, parecem muito boazinhas e prestativas, mas vivem envolvidas em fofocas, têm o hábito de puxar o tapete dos outros e não têm escrúpulos para alcançarem o que desejam.
Diante de suas vítimas, as pessoas falsas, muitas vezes, não fazem críticas de forma direta.
Elas tecem comentários maldosos a terceiros, sem que o alvo da crítica possa se defender.
Agem, portanto, de modo bem diferente de um amigo sincero, pois este, quando percebe algum ponto com que não concorde, encontra um meio de falar a verdade diretamente para a pessoa, ajudando-a a melhorar naquele sentido e também respeitando sua individualidade.
O modus operandi da pessoa falsa é o oposto desse, pois ela não tem interesse algum em ajudar a pessoa a quem tanto critica.
Na verdade, tudo o que ela mais quer é sentir-se superior a quem recebe suas críticas.
Nem sempre é tão simples e rápido identificar a falsidade.
Isso ocorre porque é por meio da convivência que vamos percebendo quando uma pessoa faz e fala coisas que não correspondem à verdade.
Como vimos, as pessoas falsas gostam muito de se fazerem de confiáveis para que possam obter aquilo que pretendem e tudo isso vai tornando mais difícil ainda que sejam desmascaradas.
Porém, talvez o que você vai encontrar logo adiante neste artigo não seja muito agradável.
A verdade dolorosa sobre a falsidade
A verdade é que devemos reconhecer que todos nós somos, em alguma medida, falsos.
É fácil reconhecer, por exemplo, que o outro é invejoso.
Mas quase ninguém reconhece ter inveja também…
E a inveja é uma característica presente em todos nós, assim como a falsidade.
Duro reconhecer isso, não é?
Mas pense bem: você fala exatamente tudo o que pensa?
Nunca falou mal de ninguém pelas costas?
Reconheça que é impossível ser sincero o tempo todo.
A vida em sociedade nos impede isso.
Não somos educados para sermos sinceros com os outros nem conosco mesmos.
Uma certa dose de falsidade é indispensável para as relações sociais.
O Falso Self
Winnicott foi um importante psicanalista que desenvolveu o conceito de falso self, indicando que nossa espontaneidade, ou seja, nosso verdadeiro self, vai diminuindo a partir do contato com os outros por causa das negociações que vamos fazendo entre os nossos desejos, os desejos dos outros e as regras que vão sendo apresentadas a nós na família, na escola, na sociedade.
O resultado dessa perda de espontaneidade é nosso falso self, que é a nossa adaptação à vida social.
É o personagem que criamos para sermos aceitos e agradarmos aos outros.
Você pode estar pensando agora: mas o falso self não leva a pessoa a ser inescrupulosa com os outros!
De fato, não.
Mas pode levá-la a ser inescrupulosa consigo mesma.
Pode levar a pessoa a se distanciar de si, a criar uma nova identidade para ser aceita pelos outros.
E esse também é um tipo perigoso de falsidade, é a falsidade que pode distanciar a pessoa de seu verdadeiro eu, de seus verdadeiros desejos.
E, quando a pessoa vive dessa forma, pode ficar mais vulnerável aos atos de falsidade de pessoas que só pensam em si mesmas.
Um exemplo ilustrativo
Imagine a seguinte situação:
Ana vive se sentindo insuficiente. Pensa que ninguém a acha inteligente, bonita, agradável.
Faz o tipo boazinha, que não impõe limites para os outros.
Quer cuidar de todo mundo na expectativa de encontrar alguém que cuide dela.
Certo dia, ela conhece Marta, que a elogia constantemente e parece uma amiga bem confiável.
Marta conta para Ana alguns segredos, o que faz com que Ana fique à vontade para contar sobre sua vida também.
Às vezes, Marta fala mal de outras pessoas que Ana também conhece e faz isso com muita ironia, debochando de aspectos físicos e fazendo piadas bem cruéis.
É claro que Marta faz o mesmo em relação a Ana e, quando Ana descobre, fica muito chateada com aquela que imaginava ser sua amiga.
Ana passa a perceber que a amizade que tem com Marta é muito conveniente para a própria Marta, mas tem dificuldade de se afastar por causa de sua carência.
Essa situação tão comum ilustra, de maneira simplificada, algumas importantes considerações sobre esse tema:
- quando estamos em desequilíbrio emocional, quando nos sentimos carentes, ficamos mais suscetíveis a pessoas com intenções pouco sinceras em relação a nós;
- pessoas falsas gostam de elogiar e procuram ganhar nossa confiança;
- são poucas as pessoas a quem podemos contar sobre nossa vida;
- nosso equilíbrio emocional nos torna menos vulneráveis a pessoas falsas
- e, por último, vale lembrar a famosa frase de Freud:
Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.
Como afinal então lidar com pessoas falsas?
É sempre prudente ficarmos atentas ao modo como uma pessoa com quem conversamos fala sobre pessoas ausentes.
Isso revela muito do caráter dela e revela também das projeções que ela faz em relação aos outros.
Procure ser mais observadora e torne-se menos vulnerável às ações dos outros.
Preserve-se.
Estabeleça mais limites em relação às ações de falsidade dirigidas a você e também em relação àquelas que partem de você.
É importante reconhecer também o que faz você se distanciar de seu verdadeiro self.
Nessa busca de tentar lidar melhor com pessoas falsas e de se reconhecer mais verdadeira consigo mesma, a Psicanálise pode ser uma importante ferramenta para desenvolver maior autoconhecimento.
Considere a possibilidade de iniciar seu processo analítico para aprender a lidar melhor com a realidade e com os entraves da vida social.
Conclusão
Espero que esse artigo tenha sido útil e que tenha levado você a estabelecer algumas reflexões sobre esse tema.
Lembre-se sempre: é na busca pelo autoconhecimento e no autocuidado que encontramos condições para uma vida melhor.
Se gostou do conteúdo, compartilhe com quem possa se beneficiar dessas reflexões.
Muito obrigada e cuide-se.
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