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Psicanálise: uma viagem rumo a si mesmo


caminhos antigos

Viajar é enriquecer a alma de novas experiências, é a possibilidade de se deparar com experiências inéditas que trazem consigo a alegria da descoberta e a angústia frente ao desconhecido.

É também soltar-se dos braços da mãe (da sensação de proteção, amparo) e saltar no espaço (no novo) para tornar-se um constante vir-a-ser.

A vida não deixa de ser uma viagem, mas, para seguir adiante, muitas vezes, percebemos que precisamos de ajuda, precisamos rever certezas, questionar conflitos…

Em muitos momentos, é preciso ter coragem para renascer, para sair da zona de conforto… que, muitas vezes, nem tão confortável é…

Se viajar para conhecer lugares novos é uma experiência fantástica, a viagem para dentro de si mesmo também é…

Dentro de nós, escondem-se muitas riquezas que, uma vez descobertas, podem nos levar ao melhor encontro de nossa vida: o de nossa essência.

A Psicanálise propõe-se a possibilitar essa viagem para dentro de nós levando-nos a perceber que não há apenas um ou o destino certo, mas a descoberta do encantamento em relação a cada experiência, da coragem necessária para rever a rota, do check-in rápido e mais seguro em cada novo desafio e do forte e necessário restabelecimento a cada situação de frustração de expectativas por causa de extravio de bagagem, de companheiros desagradáveis ou qualquer outra adversidade durante o percurso.

Permita-se conhecer esse meio capaz de levar você a essa melhor percepção de si mesmo.

 A Psicanálise

A Psicanalise Ajuda

A Psicanálise é um campo teórico e clínico cujo objetivo é a investigação dos conteúdos que emergem do inconsciente a fim de que o sujeito possa trazê-los para a consciência e consiga lidar com suas emoções e pensamentos de um modo diferente.

Destinada a pessoas que passam por conflitos emocionais, é uma práxis muito eficaz no tratamento de variados sintomas psíquicos, como angústia, ansiedade, depressão, compulsão, autoestima baixa, transtornos alimentares, dificuldade de concentração, problemas nos comportamentos, pensamentos autodestrutivos, doenças psicossomáticas…

A condição para a análise é que o sujeito/ analisante deseje compreender as repetições desagradáveis que ocorrem em diversos setores de sua vida – aquelas das quais ele quer se livrar e não consegue.

Buscam-se, em análise, as causas e a ressignificação desses problemas.

Os efeitos obtidos por meio do processo analítico são duradouros, pois o que se torna consciente permanece desse modo e leva o sujeito a estabelecer uma relação diferente consigo mesmo, com os outros e com a realidade.

O inconsciente

 

O Inconsciente

Se a Psicanálise se baseia na investigação do conteúdo que está no inconsciente, torna-se necessário saber um pouco sobre essa instância psíquica.

Não somos, segundo Freud, senhores de nossa morada.

Há um conjunto de memórias e desejos que reprimimos e varremos de nossa consciência desde o início de nossa vida – por serem dolorosos ou de difícil controle e/ou compreensão.

Esse conteúdo é recalcado em nosso inconsciente e se torna inacessível para nós mesmos, a menos que decidamos buscá-lo para compreendermos melhor alguns efeitos dele em nossa vida.

A imagem mais comum para representar nossa consciência e nosso inconsciente é a de um iceberg.

A parte emersa, a que fica visível, representa apenas uma pequena porção de nós e é aquela que, de fato, conhecemos e conseguimos controlar.

A maior parte fica submersa, escondida sob as águas.

Ela corresponde a cerca de 90% de nosso psiquismo e emerge em nossos atos falhos, nossos lapsos, nossos sonhos, nossos chistes e nossos sintomas.  

Sintoma

 

culpa

O foco do psicanalista é analisar o sintoma relatado pelo analisante e buscar os elementos que o compõem.

Essa é a forma inicial da busca pelo conteúdo que precisa começar a emergir do inconsciente para que seja possível para o sujeito relacionar-se de uma forma diferente com sua queixa e passar a ter outra percepção de si mesmo e dos outros.

Formação do inconsciente, o sintoma não é visto na Psicanálise como indicativo de uma doença, mas como atos indesejados que causam desprazer e sofrimento, e que acabam por se repetir, a despeito do desejo consciente do analisante.

Todo sintoma tem valor de linguagem e aparece para expressar o que o sujeito ainda não consegue dizer em palavras por não ter tomado consciência de sua causa.

Muitas vezes, ele é perceptível em todos os setores da vida, outras vezes o é apenas em algum deles.

Porém, o mais correto a afirmar é que ele passa a integrar o modo como o sujeito se relaciona com os outros e com a realidade ao seu redor.

“Somos, em grande parte, personagens que seguem um roteiro escrito pelo inconsciente. Nossas escolhas de parceiro conjugal, nossos interesses vocacionais e até nossos passatempos não são selecionados aleatoriamente, eles são moldados pelas forças inconscientes que se relacionam de modo dinâmico entre si”. (GABBARD, p.12)

Participaram da escrita desse roteiro nossa família e as pessoas com quem mantivemos laços significativos em nossa infância.

Faz parte do processo analítico reconhecer o motivo de algumas dessas escolhas do analisante continuarem a ser mantidas, a despeito de causarem sofrimento e/ou infelicidade.

Breve histórico da Psicanálise

 

Sigmund Freud

Desenvolvida pelo médico austríaco Sigmund Freud a partir do final do século XIX, a Psicanálise fundou-se como uma busca de motivos que levavam principalmente mulheres à conversão histérica (dores, paralisias, tiques, gagueiras, tremores – sem causa orgânica). 

O termo “histérico” tem origem no termo médico grego hysterikos, que se referia a uma suposta condição médica peculiar a mulheres, causada por perturbações no útero (hystera, em grego).

Naquela época, essas pessoas sofriam muito preconceito, inclusive de alguns médicos que consideravam, depois de realizarem os exames clínicos, esses sintomas uma farsa, como se fosse um mero fingimento para que os pacientes pudessem ser notados.

Logo depois de ter se formado em Medicina, Freud trabalhou em uma clínica com vários casos de histeria e ficou instigado pelas manifestações nas pacientes de que tratava, resolvendo ir à procura de estudos para entender melhor o que se passava com elas.

Decidiu ir a Paris assistir ao curso que Charcot (a maior autoridade sobre a histeria da época) ministrava na Sapêtriére, tornando-se discípulo desse famoso hipnólogo.

Charcot revertia os sintomas dos pacientes histéricos submetendo-os a sessões de hipnose.

Freud buscou entender melhor esse quadro e se ocupou de desenvolver um modo de tratar esses sintomas inicialmente por meio da hipnose e da sugestão, mas logo abandonou essa prática por não considerar seus efeitos duradouros, ou seja, ele conseguia observar a remissão dos sintomas apenas quando o paciente estava sob transe hipnótico, porém, quando retornava à consciência, o sujeito voltava ao seu estado anterior.

Assim, com o tempo, ele substituiu a hipnose pela técnica da associação livre de ideias, ou, como é conhecida, a cura pela fala.

Passou a acreditar que, ao tomar consciência dos pensamentos inconscientes, o paciente pode liberar traumas, emoções e experiências reprimidas e aprender a lidar melhor consigo mesmo e com os outros.

Considerava que o indivíduo não controla totalmente sua vida, suas escolhas, sua mente. Para a Psicanálise, reconhecer isso é parte do processo de reconhecer-se, de fato, humano.

Por meio de seus estudos, Freud mostrou que “nossa morada é habitada por aspectos que não queremos reconhecer, porque não entram em harmonia com nossos ideais.

Mas o empenho de rejeitar fracassa, e o mais estranho de nós emerge desfigurado por meio de sintomas” (ONS, p. 19)

A sessão de análise

Na sessão, domina o poder da palavra a serviço da regra fundamental da associação livre: o analisante deve dizer tudo o que vier à mente, sem censura.

Dessa forma, pode-se ver emergir à consciência um saber não sabido (inconsciente).

Com duração de 50 minutos, aproximadamente, cada sessão corresponde a um momento de cura na qual o sujeito se inscreve e se responsabiliza por suas queixas para passar a lidar com seu sintoma de forma diferente.

A Psicanálise é, portanto, uma prática da fala. Seus dois parceiros são o analista e o analisante.

Este fala do que o trouxe, seu sofrimento, seu sintoma, o qual é articulado à materialidade do inconsciente (composto de pensamentos, sentimentos e lembranças do sujeito, de coisas que lhe fizeram mal, assim como de coisas impossíveis de dizer, por não serem muito aceitas por seus padrões morais ou que o fazem sofrer.

O analista pontua os dizeres do analisante e lhe permite compor o tecido de seu inconsciente.

Hélio Pellegrino, famoso escritor brasileiro e psicanalista, assim definiu a Psicanálise:

“A Psicanálise pretende curar o ser humano de suas ilusões. Ela não acredita na bondade fundamental do homem, nem parte do princípio de que o processo civilizatório é uma rampa ascendente, de sucessivas vitórias, que chegarão necessariamente à plenitude do amor de todos por todos. A luta entre Eros e Thanatos — vida e morte — se decide dentro de nós, a cada instante.

 É um método de investigação dos processos mentais que, por meio da interpretação do analista, possibilita ao sujeito que busca maior entendimento sobre si mesmo, encontrar-se naquilo que diz”.

Freud Responsabilidade

Breve apresentação da diferença entre Psicanálise, Psicologia e Psiquiatria

Embora procurem auxiliar o sujeito a melhorar sua percepção de si mesmo e seu equilíbrio emocional, cada uma dessas áreas tem sua especificidades:

Psicanálise – campo teórico e prático que busca auxiliar o paciente a lidar com os conteúdos recalcados no inconsciente para torná-los conscientes.

Psicologia – ciência que estuda os processos mentais e o comportamento humano.

Psiquiatria – campo da Medicina que estuda os aspectos fisiológicos e bioquímicos do cérebro, os transtornos resultantes de desequilíbrios nesse sistema e as possibilidades de tratamento, inclusive com a prescrição de medicamentos.

Referências bibliográficas

GABBARD, Glen O. Psiquiatria Psicodinâmica na prática clínica. Porto Alegre: Artmed, 5ª ed., 2016.

ONS, Sílvia. Tudo o que você precisa saber sobre Psicanálise. São Paulo: Planeta, 2018.

Foto de Psicanalista Rosana Castro

Psicanalista Rosana Castro

Possuo Formação e Pós Graduação em Psicanálise e tenho como objetivo ajudar você a viver de forma mais leve e equilibrada. Saiba mais a respeito de mim clicando na página "sobre".

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