Você já teve a sensação de estar nadando contra a correnteza e, exausta, sentia medo de não conseguir chegar com segurança à margem do rio?

Na travessia da vida, muitas vezes, nos sentimos assim.
Entre uma etapa e outra que estabelecemos para a nossa vida, os problemas podem se acumular e nos gerar muita angústia e sofrimento.
Neste artigo, eu vou apresentar a você algumas considerações da Psicanálise a respeito dos problemas emocionais para que você os veja sob uma nova perspectiva.
Como você lida com seus problemas emocionais?
Como você tem lidado com seus problemas emocionais?
Tem se sentido afogada por eles?
Parece que, por mais que você nade, fica cada vez mais distante chegar à terra firme, chegar à sensação de paz e segurança, não é mesmo?
Não é nada incomum se sentir assim.
As formas como percebemos os problemas emocionais podem ser variadas:
explosões de raiva, crises de choro, pânico, fobias, esgotamento físico, desânimo profundo, falta de apetite, compulsão alimentar, falta de concentração, insônia…
A lista é enorme…
Como suas emoções têm sido manifestadas?
Bom, mas e se eu te disser que o seu problema emocional não é na verdade a questão central a ser analisada em sua vida?
Nossos problemas emocionais, chamados na Psicanálise de sintomas, são manifestações que escondem a verdadeira origem de nossos reais problemas.
Para as outras abordagens terapêuticas, os problemas emocionais são considerados como falhas em nossa mente.
Eles são vistos como algo a ser superado, eliminado por meio de algumas estratégias.
Para a Psicanálise, os problemas emocionais são o que de melhor nossa mente conseguiu produzir para tentar eliminar a verdadeira causa de sua angústia.
Vamos ver um pouco mais dessa forma da Psicanálise de lidar com os problemas emocionais.
Os Problemas Emocionais para a Psicanálise
Imagine uma pessoa que tenha tido uma extrema carência afetiva desde a infância e que passou a manifestar compulsão alimentar.
A Psicanálise entende que de nada adianta criar um treino para a mente dela deixar de buscar compensação para essa carência por meio da alimentação.
Sabe por quê?
Porque a mente dela pode abandonar esse sintoma, mas certamente vai desenvolver outro.
Essa pessoa, se não encarar sua carência afetiva, se não elaborar seu desconforto em relação a essa falta, vai certamente desenvolver outro sintoma…
Pode passar por exemplo a manifestar compulsão por compras.
Eu fiz um artigo sobre compulsão por compras, se você passa por esse problema, clique aqui para ler!
Assim, para a Psicanálise, nossos sintomas não são falhas, não são erros de nossa mente…
Eles são criados inconscientemente por nossa mente para cumprirem determinadas funções em nossas vidas…
para que possamos nos defender de memórias traumáticas ou expressar desejos ou medos que queremos esconder de nós mesmas.
Aqui está um ponto muito importante: seus problemas emocionais não são obstáculos para a sua felicidade, são mensagens do seu inconsciente que precisam ser interpretadas.
Cada sintoma exprime um trabalho subjetivo, uma forma de solução criada por você.
É como se seu inconsciente estivesse enviando recados, pedindo por uma atenção especial.
Mas como podemos interpretar esses sintomas do inconsciente?
Como podemos compreender o que nosso inconsciente está tentando nos dizer através deles?
É aí que entra a importância da Psicanálise, que nos ajuda a decifrar essas mensagens ocultas, a entender a raiz de nossos conflitos emocionais.
Os problemas emocionais são vistos como o melhor que conseguimos fazer para tentar resolver o verdadeiro problema.
Você tem tido dificuldade para se concentrar?
Na Psicanálise, não trabalhamos com técnicas de concentração e sim buscamos compreender qual o problema que está sendo substituído por essa falta de atenção.
É possível que a pessoa tenha compreendido, por causa de algum trauma do passado, que precisa se manter em estado de alerta, que precisa prestar atenção em tudo ao mesmo tempo e isso a impede de focar em algo específico.
Nossa sintomas são, na verdade, tentativas fracassadas de cura para outros problemas mais profundos e intensos.
É como trocar uma dor por outra… uma que você sente que pode manifestar para substituir outra que se encontra guardada em seu inconsciente.
Os sintomas podem te fazer girar em torno de uma mesma questão repetidamente
Até que possam ser analisados e interpretados.
Tudo o que não conseguimos reconhecer e elaborar se repete em nossa vida e causa muito desconforto.
Freud considerava que o sintoma não era apenas uma formação substitutiva,
ou seja, não se trata apenas de substituir um desconforto maior por um desconforto menor, mais suportável.
Freud considerava que o sintoma era também uma satisfação substitutiva.
Com isso, ele queria dizer que todo sintoma é sustentado por uma satisfação que substitui uma pulsão reprimida.
Isso porque o desconforto causado pela repressão de um impulso ou as marcas geradas por um trauma são muito pesadas, incômodas…
Por isso pensar que há uma satisfação em trocar esse incômodo tão intenso por outro mais suportável.
Quer um exemplo disso?
Se a pessoa, por exemplo, começa a lavar repetidas vezes as mãos, é necessário buscar compreender qual a pulsão reprimida está sendo substituída por essa satisfação.
Estranho pensar nesse caso em satisfação, não é?
Mas a satisfação reside no fato de reduzir a tensão.
A causa desse sintoma causa muito mais desconforto do que o sintoma que foi criado para substituí-la.
Não é raro termos sintomas físicos que se manifestam a partir de causas emocionais. É o caso, por exemplo, da fibromialgia ou de problemas digestivos.
É sempre importante, ao perceber sintomas físicos, procurar um médico e fazer todos os exames solicitados.
Se for descartada a origem orgânica, é hora de buscar compreender as causas emocionais para tais sintomas.
O que eles procuram substituir?
Que dor emocional eles procuram ocultar?
Cada sintoma tem que ser compreendido.
Mas como compreender os problemas emocionais?
O processo analítico tem como objetivo integrar o sujeito para que ele possa encontrar outras formas de lidar com suas questões inconscientes.
Na Psicanálise, entendemos que o sintoma guarda uma esperança de conseguir reduzir o desconforto diante de conteúdos que foram sufocados no inconsciente e que geram muita angústia.
Ou seja, como vimos, o que para você considera um problema emocional, geralmente é uma solução que seu inconsciente encontrou para não trazer à tona algo que gera ainda mais incômodo.
Trazer esses conteúdos para a consciência para que sejam elaborados é a forma de levar o sujeito a não precisar mais do sintoma…
ou ainda passar a lidar com os sintomas de outra forma e, com isso, reduzir significativamente os incômodos gerados por eles.
Essa é a travessia que a Psicanálise oferece a quem opta por passar pelo processo analítico.
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