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Saiba Como a Sociedade do Cansaço Impacta Você

Você vive reclamando do seu cansaço? 

Sente-se exausta diante de tanta correria, mas também sente culpa quando decide descansar? 

Saiba que essa condição tem sido comum a todos nós. 

O século XXI trouxe uma grande mudança de paradigma. 

A pressão para estar sempre ativo e produtivo nunca foi tão intensa. 

Existe uma máxima moderna que diz: “Trabalhe enquanto os outros dormem”. Enquanto você dorme, enquanto você descansa, os outros podem conquistar aquilo que você deseja. 

No centro desse novo paradigma está a palavra “desempenho”. 

Somos constantemente incentivados a superar nossos limites, muitas vezes à custa de nosso bem-estar. Byung-Chul Han, um filósofo contemporâneo, descreve esse fenômeno como “A Sociedade do Cansaço”. 

Ele nos alerta sobre os perigos dessa incessante busca por desempenho e produtividade.

E é sobre isso que abordaremos nesse artigo, por isso leia até o final dele para entender um pouco mais esse assunto.

mulher cansada

Sociedade do Cansaço e a Produtividade

Todos percebemos que, desde o momento em que acordamos até o momento em que finalmente vamos dormir, 

somos bombardeados com a ideia de que precisamos trabalhar mais, fazer mais, ser mais. 

Esse constante pensamento sobre produtividade nos deixa com um aperto no peito, nos perguntando constantemente se estamos fazendo o suficiente.

A sociedade neoliberal em que vivemos nos faz acreditar acreditar que, com dedicação e esforço individual, podemos conquistar qualquer coisa. 

Sendo transmitida essa ideia, estão sendo ignorados os fatores sociais, históricos, econômicos e políticos. 

Essa ideologia mascara uma forma sofisticada de exploração. 

Somos levados a acreditar que a promessa do sucesso está ao alcance das nossas mãos, mas, na verdade, estamos presos em um ciclo de trabalho incessante, buscando uma liberdade que nunca alcançaremos de fato.

Segundo Byung Chul-Han, é um excesso de positividade que nos leva a acreditar que somos capazes de superar qualquer obstáculo apenas com força de vontade. 

Se você não chegou lá, é porque não se esforçou o bastante. 

O curioso é que esse lá está sempre distante.

Sempre que se alcança algo, essa conquista já é insuficiente porque internalizamos que sempre dá para ir mais longe.

E essa eterna busca por desempenho nos leva à exaustão física e mental. 

A ideia de que “todo mundo pode, basta querer de verdade” cria uma pressão insustentável sobre nós.

Será mesmo que você precisa conseguir ir tão longe?

Muitos sentem na pele que esse muito longe acaba isolando todos eles dos outros e também os afastando de si mesmos, de seus reais desejos.

produtividade

Sociedade do Cansaço X Sociedade Disciplinar

Para apresentar esse modelo que rege nossa sociedade atual, Byung Chul-Han o contrasta do modelo que predominava no século XX, 

que era o de uma sociedade disciplinar, analisada por Foucault em seu livro Vigiar e punir. 

No século XX, a dominação era marcada pelo controle e pela vigilância dos corpos.

A sociedade disciplinar era a sociedade do sujeito da obediência, marcada pela diferenciação clara entre aquilo que podia e aquilo que não podia e também pela punição que vinha de alguma instância superior.

Essa era a realidade presente por exemplo nas escolas, presídios, hospitais, hospícios, quartéis, fábricas.

Segundo Byung Chul-Han, hoje a dominação e a exploração não são mais articuladas pela negatividade pela proibição (não pode isso, não pode aquilo) como era na sociedade disciplinar.

Agora a dominação se fundamenta na positividade, na ideia individualista de que, com vontade e foco, nada é impossível.

É como se o sujeito fosse capaz de tudo.

 E, como todo mundo pode, se você não conseguiu é porque você não quis de verdade… afinal, se você quisesse, conseguiria.

Percebe a violência implícita nesse modelo?

Esse sujeito do desempenho tem uma falsa sensação de liberdade por estar livre da instância externa de domínio, de alguém que o obrigaria a trabalhar ou o que poderia explorá-lo.

Ele acha que é o senhor de si, mas muitas vezes não percebe que a exploração está internalizada; é ele mesmo que se explora e se pressiona a sempre fazer mais.

E, como forma de punição, não precisa de instâncias superiores externas porque usa de muita crueldade consigo mesmo para se sentir insuficiente a cada meta que não atinge.

A sociedade do desempenho é a sociedade do cansaço físico e mental, é a sociedade onde estão muito presentes quadros de ansiedade, Burnout e depressão.

sociedade disciplinar

Sociedade do Cansaço e a Psicanálise

Byung Chul-Han afirma também, em seu livro, que a sociedade disciplinar do século XX foi a sociedade onde a Psicanálise se consolidou

Segundo ele, a Psicanálise só poderia ser efetiva numa sociedade repressiva que se baseia na negatividade das proibições.

Como a sociedade de hoje teria mudado, não sendo mais disciplinar, ele indicou que a psicanálise freudiana não teria mais espaço nessa sociedade da liberdade. 

Mas, em primeiro lugar, que grande liberdade seria essa vivida pelo sujeito do desempenho?

Segundo Byung Chul-Han , o sujeito do desempenho teria uma psique bem diferente do sujeito obediente porque seria um sujeito do prazer, não um sujeito do dever.

Essa noção de Liberdade do sujeito do desempenho é um tanto simplista.

Nossa sociedade tem sim uma disciplina que foi introjetada por esse sujeito do desempenho.

O autor chega a afirmar que a liberdade não proporciona apenas emancipação e libertação, mas também se transformaria em novas coações.

Então, nesse ponto, existe uma contradição porque Byung Chul-Han nega que haja uma ideia de dever no sujeito do desempenho, mas ele próprio indica que essa ilusão de liberdade se transforma em obrigações, coações. 

Considerar que exista alguém totalmente livre de repressão, superego, negação revela uma análise rasa do autor em relação ao que ele mesmo apresentou de seu sujeito do desempenho, além de um conhecimento Bem restrito a respeito da obra de Freud.

 Se esse sujeito fosse de fato tão livre, não teria tanto mal-estar nem estaria tão suscetível aos sintomas que ele mesmo indica serem comuns na atualidade.

Mesmo nos dias atuais, o sujeito entra em conflito com a ordem vigente. 

Mesmo não havendo tanta imposição externa, aquilo que está internalizado e o submete o atormenta e revela regras a serem seguidas. 

Considerar também que a Psicanálise se resume a Freud é o mesmo de afirmar que a filosofia de resume a Tales de Mileto, o primeiro filósofo.

Muitos outros autores atualizaram as idéias dos precursores de toda e qualquer área do conhecimento.

A psicanálise tem novas maneiras de analisar o sujeito da contemporaneidade a partir de outros grandes nomes, como Lacan, como Winnicott, Melanie Klein, Bion. 

sessão de psicanálise

Conclusão

Assim, apesar da visão equivocada de Byung Chul-Han a respeito da psicanálise, seu livro a sociedade era o cansaço traz uma contribuição ao apresentar uma forma de entendermos um pouco mais sobre essa nova dinâmica que vivemos em que a ordem assimilada por todos os sujeitos é: produza e não descanse.

Questionar isso é fundamental para que seja possível manter nossa saúde mental e emocional.  

 Se gostou do conteúdo, compartilhe com quem possa se interessar por essas reflexões.

 Muito obrigada por ler até aqui!

Cuide-se bem!



Foto de Psicanalista Rosana Castro

Psicanalista Rosana Castro

Possuo Formação e Pós Graduação em Psicanálise e tenho como objetivo ajudar você a viver de forma mais leve e equilibrada. Saiba mais a respeito de mim clicando na página "sobre".

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